| Dar de mamar no peito para o bebê pelo menos até os seis meses de idade, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde, ajuda a reduzir o índice de cárie dentária. E se a criança continuar recebendo leite materno após essa idade também é um fator de proteção contra a cárie.
As conclusões são de uma pesquisa feita para uma tese de doutorado defendida no início do ano na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Para o estudo, foram investigadas 158 crianças com até 12 anos de idade.
"É sabido que os anticorpos da mãe presentes no leite são passados para a criança, o que beneficia a sua saúde de modo geral, inclusive a oral", afirma Luciano Artioli Moreira, autor da tese e presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas. Além disso, ele explica que o leite materno forma uma película protetora que imuniza a gengiva.
Um outro aspecto é que o ato de sucção feito pelo bebê na hora de mamar também ajuda a desenvolver e a fortalecer os músculos e ossos da face (incluindo os dentes).
O odontopediatra Danilo Antonio Duarte acrescenta outra explicação que pode influenciar na ocorrência de cárie. "Ao amamentar mais no peito, a mãe dá outros alimentos que podem provocar a cárie em menor quantidade", analisa.
Dos três filhos já adultos da comerciante Maria Isabel Sciascia do Olival, 45, a filha do meio é a que menos cáries teve. "Não sei se é uma coincidência, mas ela foi a única que consegui amamentar até os seis meses de idade. O cuidado com a alimentação e higiene sempre foi o mesmo, mas pode ser que o leite tenha feito diferença", diz.
Fonte: Folha de S. Paulo – março de 2007 (matéria editada) |