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Lições de futebol, de vida e de boa saúde
O que é que um projeto que proporciona aulas gratuitas de futebol para alunos da rede pública municipal de ensino e uma cooperativa de atendimento odontológico podem ter um comum? A resposta pode ser dada observando a boa parceria entre o Projeto Gérson (idealizado pelo "Canhotinha de Ouro" da seleção tricampeã de 1970, Gérson Nunes) e a Uniodonto Leste Fluminense. Juntas, as duas entidades estão batendo um bolão: desde ano de 2002 as 1.300 crianças do Projeto, que já esbaldavam com as aulas de futebol, têm também atendimento odontológico gratuito, incluindo tratamento, fluoretação e acompanhamento periódico. Além disso, aprendem como escovar os dentes corretamente e recebem kits de pasta, escova e fio dental, garantido a prática do que aprenderam.
Se durante anos a fio encantou multidões com seus lançamentos precisos em campo, agora é Gerson quem se emociona quando comenta a "tabelinha" perfeita do seu Projeto com a Uniodonto Leste Fluminense:
- Era tudo que o Projeto necessitava. A adesão da Uniodonto ultrapassou nossas expectativas, dando uma força, uma credibilidade muito grande a todo o Projeto, e levando saúde, na prática, a todas essas crianças.
Gérson conta que alguns pais de alunos chegaram a duvidar quando souberam que seus filhos passariam a ter, além de lanches e aulas de futebol, também atendimento odontológico gratuito:
- Você nem imagina o que isso significa para essas crianças, suas mães e seus pais. Quando nós chegamos nas comunidades de braços dados com a Uniodonto, anunciando que além das aulas de futebol as crianças ganhariam o atendimento odontológico, foi um negócio tão forte que muita gente nem acreditava. Porque era algo muito além do que eles poderiam sonhar - diz o tricampeão mundial. - Nós tínhamos meninos aqui que nunca tinham ido a um dentista. E hoje estão aqui, aprendendo futebol e também que a saúde começa pela boca, no sentido mais amplo da expressão.
Com cinco anos de funcionamento, o Projeto Gérson atende atualmente a 1.300 crianças e adolescentes, dos 4 aos 17 anos, em seis Núcleos espalhados por Niterói: São Domingos, Ponta da Areia, Barreto, Maria Paula, São Francisco e Santa Rosa. Cada Núcleo tem um técnico (que é um ex-jogador de futebol), dois estagiários de Educação Física, um servente e um administrador. O Projeto foi viabilizado graças a um convênio da Prefeitura de Niterói com o Banerj e a Telemar, em 1998. A administração central das aulas de futebol é feita pelo Instituto Canhotinha de Ouro, que só esta aguardando a liberação de recursos em Brasília para iniciar a construção de um complexo esportivo na localidade de Campo Belo, na Região Oceânica de Niterói, para poder atender à crescente demanda: em cada Núcleo, há uma banco de espera de vagas de cerca de 300 alunos.
Desde o início do Projeto Gérson esteve presente a preocupação com a saúde dos alunos, conforme destaca a Presidente do Instituto Canhotinha de Ouro, Patrícia Nunes Bizzotto:
- Sempre fizemos questão de ter a saúde em primeiro lugar. É uma questão de filosofia do Projeto. Escolinhas há um monte. A questão é ir além do futebol. Estamos oferecendo a estas crianças acesso a chances que de outra forma dificilmente teriam, seja na prática esportiva, seja na saúde, ou mesmo na convivência em grupo. Na verdade, o futebol acaba sendo um chamariz, por meio do qual elas descobrem estas oportunidades, decidindo a partir daí suas posturas diante da vida - diz Patrícia.
Gérson ressalta o caráter social do Projeto, destacando que a meta não é gerar craques, e sim oferecer oportunidades de prática esportiva, socialização e saúde aos jovens participantes:
- Se surgir alguém com vocação mais acentuada, tudo bem, ótimo. Mas a função do projeto é social, e não ser uma fábrica de jogadores.
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